Cerimônias de casamento sofrem adaptações na pandemia
- Fernanda Almeida
- 1 de mai. de 2021
- 5 min de leitura
Atualizado: 11 de out. de 2021
Menor número de convidados e protocolos de segurança foram algumas delas
Por Fernanda Almeida
A necessidade de isolamento social, o alto risco de transmissão de doenças e a falta da vacina foram fatores determinantes para que vários setores econômicos ficassem estagnados, entre eles o setor de eventos. Por conta disso, o número de casamento teve uma queda abrupta, com casais escolhendo adiar ou até cancelar suas cerimônias à espera de uma melhora na situação do país.
Segundo dados do Portal Oficial do Registro Civil, da Associação Nacional de Registradores de Pessoas Naturais do Brasil (Arpen-BR), o índice de casamentos em 2020 na Região Metropolitana de Campinas (RMC) caiu 26,8 % em relação a 2019, realizando no total de 15.069 casamentos. Segundo a cerimonialista Beatriz Chignoli, essa queda se deve pela maioria dos casais optarem por adiar o evento, ao invés de cancelá-lo, fazendo as alterações necessárias para tornar seu sonho realidade.
“A principal alteração foi na lista de convidados, reduzindo de 40% a 60%,” explica Beatriz, que atua na área há nove anos. Outra mudança feita foi em relação a pista de dança, uma vez que em algumas cidades da região de Campinas não permitiam a montagem devido a risco de aglomeração.
O índice de casamentos em Campinas diminuiu em 26% em relação a 2019, com 5.688 casamentos. Essa queda é 20% maior do quem em relação ao ano anterior, que realizou 499 casamentos a menos que em 2018.

Isabela Patrocínio Lilge, 26, de Indaiatuba, planejava se casar em Junho de 2020, mas a cerimônia ocorreu em Outubro, após alterar seus planos três vezes. Para que isso acontecesse, ela conta que teve que fazer diversas mudanças.
“Reduzimos de 180 para 50 convidados, somente com os pais, irmãos e padrinhos. O local era aberto e os assentos durante a cerimônia tinha espaçamento, permitindo quatro pessoas em cada”, relata.
Outras adaptações foram distanciamento das mesas, álcool em gel em diversos pontos e medição da temperatura na entrada do local. Ela disse que, por estarem em um campo grande, foi permitido o uso opcional das máscaras contanto que os convidados mantivessem o distanciamento social.
Para a recém-casada, o maior desafio foi ver que o ano e meio de planejamento acabou não dando certo no meio de tanta incerteza, além da questão financeira em alguns detalhes que ainda não havia se decidido e de não poder celebrar com todos que desejavam. “Depois de três mudanças, o psicológico fica abalado demais”, desabafa a agente de aeroporto.

Beatriz aponta a importância de ter uma assessoria nesse último ano devido a tantas inseguranças que e conta que houve uma maior procura de seus serviços por conta disso. Apesar de Indaiatuba ter tido um aumento de 5% a mais de casamentos em 2019 do que no ano anterior, com 1.595 cerimônias, em 2020, esse número caiu para 1.144, sendo 28,3% menor.
A questão do planejamento está sendo um desafio para a fotógrafa Rafaela Lemes, 25, que ficou noiva no início da pandemia. Por conta da situação atual e com os serviços atendendo de forma restrita e com horário marcado, algumas coisas tivera que ser planejadas de forma remota.
“Muita coisa pode ser iniciada através de ligações e conversas no Whatsapp, mas há momentos que você precisa estar presente”, afirma, referindo-se a escolha do local da festa, das roupas e degustação do Buffet.
O casamento estava marcado para Outubro de 2021, mas com medo da pandemia não estar sob controle até lá, o casal decidiu adiar para o fim de 2022. O principal motivo é celebrar com a família e amigos sem o medo de alguém ficar doente.
“Tenho uma família muito grande e unida e por conta da pandemia não pudemos nos reunir. Queremos poder celebrar com essas pessoas.”
Contudo, ela afirma que caso seja necessário alterar a data novamente, o casal prefere cancelar as celebrações e manter apenas o casamento civil.
Trabalhamos com sonhos
O setor de eventos foi um dos mais afetados pela pandemia em 2020. Segundo dados da Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta), o prejuízo foi de R$ 270 bilhões entre os meses de março a dezembro.
Para a cerimonialista Beatriz Chignoli, o anúncio repentino das restrições impostas pelo governo foi um dos maiores problemas.
"Eventos foram cancelados dias antes, com tudo preparado," lembra. "Isso acaba gerando muita ansiedade tanto para os noivos quanto para os fornecedores".
Tal ansiedade foi mencionada pela agente de aeroporto, Isabela Lilge, quando teve que adiar seu grande dia pela terceira vez devido as restrições. "Estava tudo muito instável: Abre o comércio, fecha. Pode reunir para 40% da ocupação, não pode mais.".
Outro problema apontado pela profissional é a dificuldade de novos eventos entrarem no calendário devido as constantes remarcações dos casamentos que não puderam ser realizados por conta da pandemia, o que acaba afetando as empresas.
"Tenho um evento que aconteceria em Maio de 2020 e que agora só vai ser realizado em Maio de 2022, pois os noivos fazem questão de ter pista de dança e manter o número de convidados", conta Beatriz. Essa é a terceira vez que o casal muda a data.
Apesar dessas dificuldades, ela comenta que observou um aumento na procura do seu serviço nesse último ano, uma vez que trabalhando em casa, os casais tiveram mais tempo para se dedicar ao planejamento. Mas também aponta que até para os que resolveram se casar agora, não tem sido fácil.
"Nosso setor trabalha com sonhos, abraços, emoção, contato físico. As pessoas ficavam receosas em fazer isso com os noivos e outros convidados", comenta a cerimonialista.
Tradições
Planejar um casamento requer muito trabalho e muitas tomadas de decisões: o local, a lista de convidados, a comida, e, é claro, quais tradições vão fazer parte do seu dia especial. Essas tradições podem ser tanto familiares ou costumeiras da própria cerimônia, mas muitos que decidem aderir a elas não sabem sua origem.
O vestido de noiva branco é uma delas e tem como pioneiras três rainhas: Mary Stuart, da Escócia, Maria de Médici, da França, e Vitória, da Inglaterra. A última, que é considerada uma das primeiras rainhas a se casar por amor, foi a que deu maior impacto a essa tendência, o que fez com que o vestido branco fosse diretamente mais atribuído a ela.
Outra tradição bem popular é a participação das damas de honra. Na Antiguidade, elas deveriam entrar antes da noiva, com trajes e penteados parecidos a ela para despistar maus espíritos e evitar que uma maldição caia no casamento.
Por fim, a tradição Norte Americana something old, something new, something borrowed and something blue (algo velho, algo novo, algo emprestado e algo azul) tem como objetivo trazer sorte a noiva no dia do seu casamento. Cada item tem seu significado especial: tradição familiar, futuro do casal, sorte ou felicidade na vida e, por fim, pureza na união, respectivamente.
Abaixo a diagramação da reportagem:
Reportagem produzida para a matéria de Jornalismo Impresso sob a orientação do Prof. Marcel Cheida, realizado no 5º semestre, em 2021. O objetivo da reportagem foi trazer como está o cenário de casamentos durante a pandemia e quais são as maiores dificuldades para os noivos e os profissionais da área. Diagramação feita por Fernanda Almeida.



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